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31 de Julho, 2026

Correlhã e Eiriz no trilho da Marcial de Fermentelos

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No próximo sábado, dia 27 de Julho, a Marcial de Fermentelos estará na Correlhã, na freguesia de S. Tomé da Correlhã, junto de Ponte de Lima, onde participará nas festas em honra da Senhora da Boa Morte. Situada na encosta do monte da Nó, numa aprazível clareira que a sombra dos pinhais circunda, a igreja de Nossa Senhora da Boa Morte é um santuário de romaria cujo exterior banal e arcaizante de maneira alguma denuncia a espectacular máquina escultórica erguida na sua capela-mor. Executadas numa oficina do Minho, as imagens d' A Morte da Virgem constituem um dos mais extraordinários conjuntos escultóricos do nosso país. Destacam-se, sobretudo, algumas das peças do Apostolado - de um profundo, livre e admirável sentido expressionista, a acusar uma espontânea adesão ao espírito do barroco. Poderão estas imagens, esculpidas por um artista anónimo de raiz popular, exibir teóricos erros de desenho ou de construção, ou certa dureza e rigidez na moderação dos volumes. A força interior que anima cada figura, explicitada, num sopro dinâmico e emotivo, através dos gestos, dos rostos, das vestes, dá porém ao Apostolado uma feição verdadeiramente viva e empolgante. Para se obter, aliás, uma mais perfeita montagem cénica, as imagens dos Apóstolos não têm todas nem o mesmo tamanho, nem as mesmas posições. As duas esculturas das pontas do semi-círculo, S. João e S. Pedro, representaram-se ajoelhadas e foram colocadas sobre plintos baixos; as esculturas restantes, figuradas de pé e quase sempre de tamanho superior ao natural, acham-se, de cada lado, sobre plintos progressivamente mais altos, que atingem as máximas dimensões nos exemplares de fundo da tribuna.» Nesta presença em terras limianas, o despique da Marcial será com a Banda de Música de Famalicão, e actuação será entre as 14.30 e a 1.00h da madrugada de domingo. No dia seguinte, domingo, e logo a partir das 8.30 a Marcial estará em Eiriz, concelho de Paços de Ferreira onde, em despique com a Banda de Música de Paços de Ferreira, actuará até às 20.00h nas festas em honra de S. Gonçalo. Eiriz está localizada próxima da margem direita do rio Valongo, afluente do Sousa. Situa-se no noroeste do concelho, numa zona de meia-encosta, num vale entre dois montes. No território que constitui actualmente a freguesia, surgiram diversos testemunhos desse período. No lugar da Bouça da Devesinha Nova, o Abade de Tagilde, padre Oliveira Guimarães, encontrou uma necrópole luso-romana. Por entre um numeroso espólio que, entretanto, se perdeu, destaca-se uma bilha de bojo ovóide e gargalo alto, exposta no Museu Martins Sarmento, e uma lucerna aberta, com reservatório em forma de taça e três aberturas para a passagem da mecha. Relativamente próximo, no lugar de Real, foi descoberta em 1951 um par de mós dormentes e giratórias, a sugerir também a existência de um povoamento correspondente a uma necrópole luso-romana, que nos faz pensar na zona de influência de Sanfins neste período. No extremo de Eiriz, nos limites com Meixomil, terá existido uma freguesia sueva, chamada de Santa Cruz. Dessa suposta Basílica de Cacães, datada do séc. V d. C., restou uma bilha em barro, em que, com moldes especiais, foram aplicados motivos decorativos diversos. Existiram ainda dois cemitérios proto-cristãos na freguesia, provavelmente do tempo visigótico: um no Monte de São Gonçalo, junto da capela, e outro na Bouça das Cinzas, no lugar de Além. O nome de Eiriz evoca a nobreza guerreira. A sua raiz, Aria, significa nobre. Alguns autores completam esta tese e referem que Eiriz é um antroponímico, ou seja, Eiriz seria filho ou descendente de Erigo ou Eurico, senhorio militar ou descendente da época. De qualquer maneira, é sem qualquer dúvida um topónimo germânico, tão comum em toda a região. Eiriz é pela primeira vez referida no ano de 976. É um testamento de uma dama que, temendo a morte por pecados cometidos, legou a um ermitério instalado na Igreja de Santa Cruz de Cacães parte dos seus rendimentos agrários. Eiriz terá estado mesmo na origem da cidade de Paços de Ferreira. Em tese ainda não cabalmente confirmada, é de supor que terá sido em Eiriz «o assento do Paço de Ferreira, para aqui mudado pelo capitão Paulo Ferreira, e que deu o nome ao concelho.» Nas Inquirições de 1220, é indiciada já como paróquia, surgindo nesse documento diversos topónimos relativos à freguesia: Eiriz, Cabo, Quintela, Real, Vila Verde, Vilar, Boielo, Cal, Lavadeira, Quintana, Palheiro e Torre. Nas Inquirições de 1258, era de herdadores fidalgos. A paróquia compunha-se de sete «villas» ou demarcações agrícolas: Quintela, Real, Vila Verde, Vilar, Bustelo e Quintã, no Paço. Apesar de todo o protagonismo evidenciado anteriormente, Eiriz vai acabar por ser integrada na Honra de Carvalhosa durante o século XIII. Mais tarde, esteve integrada no Julgado de Aguiar de Sousa. A Igreja Matriz de S. João Evangelista, de transição do barroco para o maneirismo, e o Cruzeiro do Senhor Roubado, seiscentista, são os principais pólos de interesse patrimonial da freguesia. Os interessados em acompanhar a Marcial a estes recantos do Minho profundo podem reservar o respectivo lugar no autocarro através dos telefones 234191590 (Ester Pepino) e 234721004 (Barbearia Costa).