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Curso(s) de Direcção com António Saiote
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Há dias noticiamos aqui não apenas o acordo histórico estabelecido entre a empresa Cardoso & Conceição e António Saiote mas sobretudo a relevância desta parceria, no sentido em que vem dinamizar uma área reconhecidamente empobrecida no nosso contexto filarmónico, a da direcção de bandas. Pois bem, teve lugar em Arcos de Valdevez no passado fim-de-semana o 1º Curso orientado por aquele vulto da nossa música (não apenas no nosso país mas também além fronteiras) e o balanço efectuado pelos participantes não poderia ser melhor. Desde os aspectos organizativos, à excelência da banda que serviu de suporte à formação (a Sociedade Musical de Arcos de Valdevez), passando, naturalmente, pela importância e oportunidade imperdível de trabalhar com António Saiote, todos destacaram pela positiva este evento. Não foram muito os participantes, é verdade. Apenas 7 maestros, alguns deles já com estatuto reconhecido na área da direcção, se ofereceram a si próprios a oportunidade que, à posteriori, agradeceram. Talvez a dimensão e prestígio de António Saiote possa ter sido dissuasora de outras participações. Talvez por se tratar do primeiro curso realizado num novo formato, talvez o momento, talvez a distância ou outros quaisquer motivos de diversa natureza tenham obstado a que o Curso tivesse tido mais participação. Mas a que teve foi, de facto, fantástica. Todos os participantes tiveram oportunidade de trabalhar aprofundadamente com a banda (excelente, repete-se) e o concerto final, na tarde de Domingo, foi absolutamente fabuloso. Merece natural destaque o facto de António Saiote ter executado, com a Banda Arcoense, e sob a direcção de Idílio Nunes (também ele formando no referido curso) a obra “Rio Pater” encomendada especificamente a Afonso Alves. Tal circunstância não apenas permitiu aos presentes confirmar e apreciar in loco o virtuosismo e excelência de António Saiote como clarinetista, como serviu de exemplo de grande humildade por parte daquele, sendo motivo de profunda reflexão: António Saiote, figura de prestígio internacional, de mérito reconhecido quer como executante quer como maestro, não tem qualquer vergonha de continuar ligado às Bandas Filarmónicas, trabalhando com elas e potenciando o seu desenvolvimento. Não será razão suficiente para tantos instrumentistas de sopro que saem das nossas escolas e reclamam da inexistência de oportunidades nas grandes orquestras olharem para as bandas (de onde são, de resto, oriundos) com outro olhar? Não serão as bandas credoras de apreço e, tendo em conta o seu crescente e generalizado aumento de qualidade, uma excelente oportunidade para os músicos se inserirem e continuarem a evoluir? Há vários anos, António Saiote criou, pela sua excelência e dedicação à causa, uma verdadeira “escola de clarinetistas” em Portugal, reconhecida e valorizada por todos, provocando uma verdadeira revolução na área do ensino daquele instrumento. Quem sabe se o Curso de Direcção realizado em Arcos de Valdevez não terá sido o primeiro passo de uma nova revolução?