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Délio Gonçalves e o 3.º Concurso Ateneu Artístico Vilafranquense
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1) Qual a sua opinião acerca desta 3ª Edição? A minha opinião geral é que o universo das bandas aqui no concurso tem progredido e corrido cada vez melhor. O nosso principal objectivo é que as bandas possam crescer e melhorar. E para mim e para todo o júri, o melhor deste concurso é a oportunidade que as Bandas têm de trocar opiniões, sugestões e experiências. Por vezes, acontece que muitos maestros não têm a noção do desenvolvimento e progressão da Banda. Eu e o resto do júri apercebemo-nos, uma vez que em termos de jurados não existe muita rotatividade, deste modo isto permite-nos conhecer a realidade das bandas portuguesas e se progridem ou não. São pequenos detalhes, mas marcam toda a diferença. Não só, por vezes, na qualidade musical, como também na forma como “agarram” as suas escolas de música para promover ao seu crescimento, ou na sua luta por instrumentos que são necessários e que jamais imaginavam conseguir adquirir. 2) O que é que o surpreendeu mais junto das Bandas? Notei também no maior número de jovens nas Bandas, o que me surpreendeu e me deixou muito feliz, porque significa que tudo vai crescendo e que as mentalidades vão-se modificando. Olhando para as bandas com um conceito diferente, com outras capacidades e isto é muito importante. 3) A 3ª Edição superou as suas expectativas? Sim. De ano para ano a dificuldade que tem sido exigida ou imposta pelo júri através das peças obrigatórias tem feito com que o Concurso suba, aos poucos, de patamar. E isto também tem ajudado as Bandas a posicionarem melhor o seu trabalho, pois as Bandas que vêm pela 1ª vez têm sempre uma percepção do Concurso e assim que chegam encaram a sua própria realidade e das outras Bandas. Depois, com o diploma e a pontuação, o júri pretende dar um conjunto de linhas orientadores para o trabalho futuro da Banda e neste sentido, estas tomam conhecimento da percepção de quem está a ouvir e percebem o que poderá ser melhorado em função do seu crescimento como Banda. Esta é a mensagem do júri neste concurso. Vários Maestros e Bandas já sentem que de ano para ano o reflexo desta participação na sua evolução em termos de qualidade e vão assim aumentado as suas expectativas. 4) Maestro, este ano o nº de bandas foi substancialmente inferior, o que significa isto para o Concurso? Este ano foi particularmente difícil, socialmente e economicamente, e isso reflectiu-se no número de bandas. É algo que me entristece bastante, mas o meu maior desejo é que daqui a 2 anos a conjuntura esteja mais favorável e as Bandas que não puderam participar, aproveitem esta oportunidade. Paradoxalmente, recebemos este ano duas bandas estrangeiras, que não os nossos vizinhos espanhóis. Duas bandas realizaram mais de 2.000 quilómetros para estar aqui. Para nós, esta participação é sinal de que fora de Portugal, o Concurso do Ateneu é encarado como uma oportunidade, considero que não se trata só de visitar Portugal e de viajar em grupo, pois não se investe numa distância destas se o concurso não tiver interesse e o interesse está pela qualidade do mesmo. Isto é, pela qualidade que é exigida às Bandas e que as bandas sabem ao vir aqui, ao prepararem-se. Toda esta preparação faz com que todos ganhem. 5) Notou alguma rivalidade por entre as bandas participantes durante todas as edições? Sei que, às vezes, as bandas alimentam-se umas às outras com rivalidades exacerbadas. No meu ponto de vista, espero que essa força esteja presente no seu trabalho. Devo dizer que esta força de trabalho, está cada vez mais presente em Portugal. De ano para ano, o nível das Bandas aumenta, já trabalham de maneira diferente e a qualidade começa a estar cada vez mais próxima. Nesse sentido, o trabalho do júri nesta edição foi muito mais complicado. Começam a ser pequenos detalhes que fazem diferenciar as Bandas. 6) Sobre os resultados, poderá antecipar-nos alguma novidade? Não posso. Não queremos quebrar nenhum suspense. Já tive conhecimento que estão todos ansiosos pelos resultados e que há muita gente a carregar o site à espera de novidades. As distâncias também fazem isso e hoje existe um meio poderoso de comunicação que é a internet. É um bom sinal, tanto para o Concurso como para o site, uma vez que de facto o Bandasfilarmonicas.com continua a ser o grande site de projecção das nossas bandas e da musica para banda. Mas vão ter de esperar mais umas horas… 7) Assim sendo, continuaremos ansiosos pelos resultados. Do Norte ao Sul de Portugal, estão todos curiosos. É de facto incrível a projecção que o Concurso tem adquirido, não só nas Bandas, mas no seio onde se insere. Concorda connosco, Maestro? Sim, absolutamente. O Concurso de Vila Franca acaba por mexer não só com as Bandas, mas também com as estruturas que as envolvem, como a colectividade, os corpos gerentes e toda a indústria das bandas, nomeadamente na área da música, das bandas, sejam elas as editoras, lojas de músicas, etc. Aqui no Ateneu, as Bandas tomam contacto com outra realidade e com tudo que está disponível no mundo das bandas. Só assim é que vamos conseguindo melhorar o nosso trabalho e este hobbie fantástico que é partilhado por muitas pessoas na sua vida e que faz com que tenham uma vida diferente também. 8) Portanto, no seu ponto de vista, o que representa o Concurso de Bandas do Ateneu Vilafranquense? Queremos servir da melhor forma às Bandas e à música para as bandas. Penso que hoje já toda a gente percebeu que tem no Concurso Ateneu uma forma de estimular e motivar as suas Bandas. Fico feliz por sentir que a mentalidade está a mudar e muitas bandas vêm ao concurso não para ganhar, pois tudo o que ganham é antes de chegar à hora da apresentação. Aqui, é só mais um concerto. 9) Qual o seu maior desejo para a 4ª Edição? O meu maior desejo para a 4ª Edição é que a conjuntura que vivemos se modifique e que em 2012, todas aquelas Bandas que não puderam participar nesta edição, tenham condições e aproveitem esta oportunidade. Mais bandas, muita vontade de trabalho. Estamos aqui para trabalhar e para receber todos de braços abertos! Entrevista realizada p'la Equipa Bandasfilarmonicas no dia 2 de Maio, horas antes da Gala de Encerramento