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Faleceu o Ex-Maestro da Banda de Poiares
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Foi com sentimento de grande tristeza que a Banda de Poiares recebeu a notícia da morte de Eugénio Ferreira de Carvalho seu Ex Maestro. Curiosamente o saudoso Eugénio a convite do actual maestro, voltou a dirigir a sua Banda ainda no passado dia 11 de Dezembro, volvidos cerca de 12 anos após o seu afastamento. Foi um momento de alegria para os seus familiares e para todos os presentes, onde o Génito como ele carinhosamente era conhecido visivelmente emocionado, exibiu a batuta que tinha em seu poder e que já atravessou mais de um século ao serviço da música. Por outro lado, no final não escondia a sua satisfação e comoção, que foi partilhada pelas diversas entidades presentes, responsáveis autárquicos, directores e por todos os elementos da Banda de Poiares. Já em 1902 o seu avó António Henriques de Carvalho Júnior era Maestro, em 1929 o seu pai Ernesto Ferreira de Carvalho idem, sendo de facto uma família de músicos que se dedicou de alma e coração à arte dos sons, dando o seu melhor em prol da Filarmónica Fraternidade Poiarense. Quem foi Eugénio Ferreira de Carvalho Nasceu em Vila Nova de Poiares a 29 de Janeiro de 1922, proveniente de uma família de músicos. O seu avô António Henriques Carvalho, com quem iniciou a sua aprendizagem musical aos 8 anos, fora em tempos regente da Filarmónica Fraternidade Poiarense, da Filarmónica de Alvaiázere e ainda da Filarmónica de Pedrógão Grande. Posteriormente foi o seu pai, Ernesto Henriques Carvalho, que se responsabilizou pela continuação da sua formação musical, tendo este exercido também a regência da Filarmónica Fraternidade Poiarense, da Filarmónica de Lorvão, da Filarmónica de Penacova e da Filarmónica da Companhia do Prado – Lousã, onde ocupou o cargo durante 23 anos consecutivos. Eugénio Carvalho, mais conhecido por “Génito”, marceneiro de profissão e músico de paixão, iniciou a sua aprendizagem musical com o violino, passando para a flauta transversal e mais tarde para o saxofone soprano, no qual se destacou como executante. Durante a sua juventude muitos foram os grupos musicais dos quais fez parte, actuando em bailes, ranchos, concertos, arruadas, nomeadamente no Grupo “ Os Carvalhos”, onde foi participou durante 35 anos. Na década de 50 foi um dos elementos fundadores do rancho da Venda Nova, em parceria com Manuel do Sono, Joaquim Rosa e outros elementos desta colectividade, onde foi também ensaiador durante alguns anos. Nos anos 60 foi ensaiador no Rancho Infantil da Filarmónica Fraternidade Poiarense e do Rancho Folclórico de Serpins. Mais tarde já na década de 70 ocupou o cargo de maestro da Filarmónica de Vila Nova do Ceira. Em 1990, prosseguiu com a tradição de regência da família e iniciou a sua prestação como maestro da Filarmónica Fraternidade Poiarense, com pouco mais de dez músicos à estante, visto que a maioria não comparecia aos ensaios. Convicto das capacidades dos poiarenses, apostou numa geração mais jovem com o intuito de reforçar este ensamble. Iniciou assim a sua contribuição como professor de um grupo de vinte e dois jovens, ensinando-lhes o solfejo e diversos instrumentos, visto que havia naipes desfalcados, como eram exemplo os saxofones, clarinetes, trompetes e trompas. Esta formação teve mais intensidade durante o primeiro Inverno para que no Verão seguinte, época do ano em que os serviços da filarmónica são mais solicitados, os músicos se encontrassem minimamente aptos para se juntarem aos músicos já existentes. No decorrer dos ensaios e sob a batuta muito rígida e rigorosa, estes músicos foram adquirindo cada vez mais competências tendo alguns sido admitidos no Conservatório de Música de Coimbra, como Eugénio Carvalho se orgulha de referir. Proveniente do seio da Filarmónica nasce também sob a sua orientação um grupo, de número mais reduzido, de executantes com o objectivo de participar em eventos de cariz popular, participando de forma exemplar como “cavalinho” em várias Marchas de São João e Santo António.No ano de 1998, com consciência de missão cumprida e com a filarmónica bem estruturada quer em número quer em qualidade musical, fruto da sua aposta na formação de jovens músicos, pedra basilar desta instituição entregou a sua batuta a uma nova geração. Em 2008, o Município de Vila Nova de Poiares, reconhecendo o seu empenho e contributo para o desenvolvimento cultural do Concelho, distingui-o com a Medalha de Ouro de Mérito Cultural. Finalmente uma palavra de agradecimento por tudo o que musicalmente nos legou, pelo contributo e dedicação que prestou à Filarmónica e a outros agrupamentos onde esteve inserido, e à família os sentidos pêsames pela perda de um verdadeiro amigo. “Requiescat in Pace” Francisco M. Relva Pereira, Doutorando - Maestro da Banda de Poiares