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Filarmónica Gafanhense
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Foi com imenso prazer que, tal como havíamos noticiado, participamos activamente no IV Festival Nacional de Bandas Filarmónicas da Gafanha da Nazaré, sob a organização da Filarmónica Gafanhense, no dia passado dia 2 de Outubro. Fizemo-nos representar por Vitor Dias, Mário Cardoso e, como convidado especial, o prof. António Costa que muito nos honrou com a sua companhia e sabedoria no desenvolvimento do tema principal. Da mesa da conferência, faziam parte o Exmo. Presidente da C.M. de Ílhavo, Eng. José Agostinho R. Esteves, o Revº. Padre Fidalgo e o Presidente das Associações Musicais do Distrito de Aveiro, Dr. Nuno Silva. O Eng. José Esteves, Presidente da C.M. Ilhavo, deu início à conferência apresentando boas-vindas a todos e dirigindo, de seguida, algumas referências elogiosas, com toda a justiça, à Filarmónica Gafanhense pela realização do evento. Vitor Dias, no uso da palavra, dirigiu também, em nome do Site, felicitações à instituição pela “inovadora iniciativa” e fez a apresentação do bandasfilarmonicas.com explicando os moldes do seu funcionamento. Aludiu também à recente “parceria com a empresa Cardoso e Conceição, como - a única empresa dedicada exclusivamente às Bandas Filarmónicas, que se revelou de extrema importância, evidenciada na melhoria de conteúdos e no crescente aumento de visitantes” ao site. A importância do site no universo Filarmónico está patente nos mais de 106.000 visualizações da primeira página, apenas em 2 anos e 4 meses, vindos de todos os continentes. Terminou a sua intervenção referindo que sendo os conteúdos do site objecto de notícia em jornais regionais e em “portais” relacionados com o tema, nomeadamente no Brasil, é por isso revelador o interesse que este constitui para todo o universo das Filarmónicas. Usou da palavra, a seguir, Mário Cardoso. Apresentou cumprimentos aos conferencistas e teceu algumas considerações sobre “a versatilidade do grupo Banda Filarmónica” aludindo ao facto da Banda ser um grupo com características únicas e que, como cada vez mais se aproximam os jovens das Bandas, estas tem assegurado o seu futuro. Mesmo com humildes administrações, que em muitos casos só produzem atraso no seu desenvolvimento pela baixa fasquia que colocam aos responsáveis artísticos, referiu M. Cardoso que “o povo não deixará acabar as Bandas porque estas fazem parte dele. A cultura popular nasce com o povo e só terminará quando este também deixar de existir”. Referiu ainda que devido à disseminação de escolas por todo o país e ao facto, compreendido e aceite pela sociedade, da música ser importante na formação da personalidade, temos muitos jovens envolvidos na aprendizagem da música e que estes tem oportunidade de evoluir nesta área como noutra qualquer. Na década de 60 as Bandas tinham em média 20 músicos e agora vemos essa média 3 vezes superior. Temos gente de todos os estratos sociais nas Bandas Filarmónicas sociabilizando com o mesmo fim - a música. Por isso a música Filarmónica, ou as Bandas, envolvem e aproximam as pessoas. Finalizou dizendo que o site www.bandasfilarmonicas.com está atento e acompanha esta realidade promovendo a discussão, incentivando ao constante desenvolvimento e contribuindo para a afirmação das Bandas Filarmónicas. Depois de lido um breve apontamento curricular sobre o Prof.António Costa, coube a este, a tarefa mais importante: Desenvolver o tema principal. Fê-lo de pé, fora da mesa, próximo do público. Abordou o tema em três tempos diferentes. Considerou o passado, a época em que as aldeias que tinham a feliz sorte de ter uma Banda, como era o caso da sua terra - Alvarenga, se congregavam em torno dela e desenvolviam-se nesse contexto valores humanos, sociais e culturais. Salientou que as Bandas tendo origem na cultura popular - e que esta não acaba por decreto - são património nacional e a sua extinção está absolutamente fora de hipótese. Relativamente à rivalidade existente nas Bandas, estabeleceu uma comparação, nos tempos que correm, entre as Bandas e os clubes de futebol, que vivem acima das suas possibilidades e que para colmatar o excesso de despesas recorrem a mecenas. O problema é que nada dura eternamente e quando os mecenas acabarem a situação pode ser muito difícil a menos que as Bandas tomem consciência dos seus limites e ajustem a estratégia à realidade: governarem-se com o que possuem desenvolvendo ao máximo as suas potencialidades. A juventude aproxima-se das Bandas Filarmónicas vinda dos Conservatórios, Escolas Profissionais e Superiores, trazendo para estas o saber adquirido numa aprendizagem totalmente diferente e inovadora, contribuindo para o desenvolvimento do meio, sendo neste sentido que as Bandas deverão orientar-se. Embora com alguma resistência dos “Velhos do Restelo” - com clara referência ao responsáveis artísticos de pobres conhecimentos, que em vez de aceitarem e estimularem os jovens, alguns opõe-se com medo de perder o lugar - a força do progresso não pára. Lamentou o facto de em Portugal tudo ser muito lento em desenvolver-se incluindo a mentalidade. De qualquer modo, e apesar de tudo, saudou o caminho em que as Bandas estão a colocar-se. Projectando o futuro, realçou o nosso orador que, há que evitar as TVs - de má qualidade - com entretenimentos péssimos, que são um entrave à boa educação dos jovens. E se é verdade que “quanto mais evoluído for o homem mais exigente se torna com o meio que o rodeia” teremos de desenvolver uma sociedade que seja capaz de distinguir o útil do nefasto. As Bandas serão cada vez mais importantes se forem, sempre, elas próprias. Afastar-se-ão da “espécie de futebolismo” e em lugar de recorrerem a meios artificiais para sobreviverem, como acontece em muitos casos hoje, aproximar-se-ão de pessoas competentes que as auxiliarão com honestidade, transparência, pedagogia e profissionalismo. Os dirigentes das Filarmónicas irão reflectir e munir-se de conhecimentos sobre a gestão dos recursos humanos e artísticos que tem à disposição, dispensando os antigos métodos e adaptando-se às novas realidades, sem “clubite” ou “futebolismo” mas com nova e ampla visão, social e artística, de futuro. As Sociedades Musicais tem o futuro assegurado, disso não restam dúvidas, a menos que a evolução das mentalidades sofra grave revés. Termina o Prof. António Costa a sua alocução dizendo que foi um prazer estar presente no evento e desejando felicidades à Filarmónica Gafanhense e a todos os presentes. O Padre Fidalgo, na sua intervenção, preciosa, relembrou algumas normas de conduta, pessoais e sociais, que se adquirem nas Filarmónicas e estão subjacentes a estas. As Bandas privilegiam as saudáveis relações entre pessoas. Toda a pessoa que sabe ouvir boa música é uma pessoa de paz... Quanto às associações, no seu aspecto cultural, referiu o Padre Fidalgo que não devem enveredar por caminhos diferentes dos que lhe deram origem. Devem transmitir a “exacta medida da sua cultura”. Exactamente como temos vindo a referir, e que se encaixa perfeitamente no nosso universo (das Bandas Filarmónicas) quando muitas vezes subvalorizamos a nossa cultura ou envergonhamo-nos dela, quando a mesma é rica e única - é nossa. O Dr. Nuno Silva, na qualidade de presidente das Associações Musicais, dirigiu o seu discurso para a falta de público nos concertos das nossas Filarmónicas, referindo que está a ser estudado o assunto por forma serem tomadas medidas nesse sentido. No fim da intervenção do Dr. Nuno, o Eng. José Esteves, Presidente da CMI, encerrou a sessão agradecendo a todos os presentes, voltando a reconhecer a importância cultural do evento, dando por bem empregue todo de apoio do município à Filarmónica Gafanhense. Confessamos que foi muito interessante esta participação e que o tema das Filarmónicas, na sua globalidade, tem muito “pano para mangas” e sempre com muitas novidades. Estamos muito gratos ao Prof. António Costa por nos ter acompanhado e por ter desenvolvido o tema, objecto da conferência, com a objectividade que se impunha.