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19 de Julho, 2026

Filarmónicas ou Filarmonias?

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Ao longo da minha actividade docente desde cedo me deparei com uma notória facilidade, predisposição e apetência por parte de alunos que tinham começado os seus estudos musicais em Bandas Filarmónicas pela prática do solfejo. Para o comum dos mortais, solfejo será algo que está associado à música e que há muitos anos atrás constituía, só por si, o nome de uma disciplina leccionada na formação dos músicos em Portugal. Actualmente, solfejar faz parte integrante dos conteúdos programáticos a explorar e executar em qualquer escola de música do país pelos aspirantes a músicos. Genericamente, atrever-me-ei a classificar este “pequeno mundo” como a base fundamental para a leitura, assimilação e interpretação (melódica e rítmica) de qualquer trecho musical que posteriormente originará muita da música que ouvimos e, como tal: da mesma forma que a leitura é a consequência prática da aprendizagem e assimilação de uma série de conceitos estritamente ligados à linguagem escrita, o solfejo é a consequência prática da aprendizagem e assimilação de conceitos ligados à teoria musical. Tem sido nesta velha escola, perpetuada pelos antigos mestres e regentes de Bandas Filarmónicas, que os actuais regentes (felizmente) têm vindo a beber. Daí a avaliação decorrente: “Vem da Banda?!... Então, por certo solfeja bem!”. A qualquer pessoa que queira integrar uma das muitas Bandas que existem por este país (que, perseverantemente, teimam em não acabar, existindo em maior quantidade no norte) é lhe imediatamente entregue o instrumento pretendido para que, simultaneamente, possa começar a exploração e contacto físico com o mesmo e a aprendizagem dos conceitos teóricos básicos necessários para uma rápida evolução. A Banda é um espaço vivo, interactivo e em constante dinâmica (ensaios, convívios e actuações) e, naturalmente, impele os novos aprendizes/membros para uma maior entrega à aprendizagem, estudo e prática instrumental. Sendo um espaço de comunhão cada membro acaba por ser, muitas vezes, aluno e professor, ajudando assim os mais novos e aprendendo com os mais experientes e com o regente. Importa referir que muito contribui para este espírito de entrega o facto de, constantemente, todos estes músicos serem confrontados com público e como tal, avaliados qualitativamente em relação a outras bandas da região. Nos tempos medievais eram constituídas por gaiteiros nómadas e passaram, com o decorrer dos tempos, a ser constituídas por instrumentos de sopro (metais e madeiras) e percussão. Tocam principalmente em cerimónias civis (inaugurações, recepções oficiais, etc.), religiosas (procissões) e alguns Festivais e Encontros do género. No Algarve existem Bandas Filarmónicas (Civis) em Alcantarilha, Aljezur, Castro Marim, Faro, Lagos, Loulé, Moncarapacho, Monchique, Paderne, Portimão, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António. Todas elas subsistindo graças aos apoios das respectivas Câmaras, Juntas de Freguesia, Associações e, também, Bombeiros (subsídios para deslocações, transporte, fardamento e locais de ensaio), do Ministério da Cultura (na aquisição de instrumentos) e fundamentalmente da grande boa vontade e disponibilidade financeira dos seus membros e associados. Estas escolas de música - verdadeiramente populares - vão tendo nos seus Concelhos e Freguesias uma importância vital na formação musical e ocupação dos jovens e habitantes locais. Algumas delas, lutando com a falta de elementos que queiram ingressar nas suas fileiras, têm, por vezes, que recorrer a músicos de outras Bandas, registando-se este fenómeno, mais acentuadamente, nos maiores centros populacionais e urbanos. O mesmo se passa com os regentes civis que, em virtude da escassez (notória no Algarve), acabam por ter que se desmultiplicar pela regência de mais que uma Banda. Além das inevitáveis escolas de música que lhes estão associadas convém também referir a organização e produção de eventos culturais, bem como a criação e promoção de outros tipos de agrupamentos (jazz, metais, câmara, fanfarras, etc.). : Se gosta de música de conjunto, de convívio e quer começar a tocar um instrumento de sopro não hesite: contacte estas Bandas que referi e acrescente à sua vida mais harmonia: - Filarmonia ! Paulo Cunha Associação Cultural Música XXI