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Homenagem a Fernando Mendes pela Banda da GNR
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A grandeza não consiste em receber as honras, mas em merecê-las. Aristóteles Em 11 Julho 2004, na Igreja do Convento de Arouca, a Banda Sinfónica da GNR, dirigida pelo Maestro António Costa, no final do programa do concerto, fez uma breve homenagem a Fernando Mendes, ex-músico daquela Banda. O maestro António Costa, no uso da palavra, elogiou publicamente quanto este homem fez pela Banda da GNR enquanto lá exerceu a sua actividade, agradeceu o seu legado, e finalizou o concerto com a "Alvarenga em Marcha" do homenageado, ali presente e largamente aplaudido, que, pelas palavras de apreço, se levantou e agradeceu ao maestro e ao público os aplausos. Foi um gesto simpático e justo do Maestro António Costa. 6 anos volvidos, a 13 de Junho 2010, volta a Banda da GNR a Arouca, dirigida por Armindo Pereira Luís, ao mesmo local, desta vez para um concerto inteiramente dedicado a Fernando Mendes, porém, já se não encontra entre nós aquele que deixa nos arquivos da Banda as grandes transcrições. A Banda realizou um concerto de homenagem de alto nível, onde um dos protagonistas foi a sua filha (violinista) Alexandra Mendes. Muitas palavras de apreço foram proferidas em homenagem a Fernando Mendes, quer pela Banda da GNR, quer pelo presidente da Câmara de Arouca, quer pela sobrinha, Édia Pinho. Todas justas, oportunas, emotivas e eloquentes. Amplamente confirmadas foram as virtudes profissionais do Mestre Fernando Mendes. Registamos um singelo testemunho da sua grandeza e sensibilidade como educador, nas palavras emocionadas da sobrinha, que surpreendeu por completo o auditório quer no conteúdo quer na forma como as proferiu. "Querido Mestre, Primavera de 1975. Manhã de sol coroada por uma harmonia de cores e de sons inebriantes. Ao longe, o sino da igreja matriz insistia em contar-me as horas. Subitamente, concentrei-me na canção que passava na telefonia. O seu ritmo envolvia-me... a sua letra fascinava-me... Contagiava-me o seu mistério e a sua magia...Não resisti ao apelo do refrão e comecei a cantarolar... - Gostas desta música ? – perguntou o meu tio. - Sim, muito! – respondi-lhe quase sem interromper o meu trautear desafinado. - Sabes que canção é esta ?... Não fazia a mais pálida ideia.... Foi nessa manhã de Abril que descobri o encanto dos versos de Zeca Afonso.... No auge dos meus dez anos de idade, aprendi a descodificar a mensagem de “Grândola Vila Morena”... Foi uma das melhores e mais belas lições de História e de Cidadania que já tive - uma das muitas que o meu tio Mendes generosamente me deu. Homem singular na sua pluralidade de interesses, saberes e convicções, foi um verdadeiro mestre na pedagogia da curiosidade, da sensibilidade, da ternura e da tenacidade. Músico talentoso, intérprete notável, compositor afectuoso, transcritor dedicado, Fernando “Mestre” (como é carinhosamente conhecido em Alvarenga) foi sempre motivo de grande orgulho para todos nós – familiares, amigos, colegas, instruendos e conterrâneos – que tivemos o privilégio de testemunhar as suas inesgotáveis virtudes e o seu indubitável valor. Fomos brindados pela sua inteligência e simpatia. Fomos iluminados pela sua lucidez e serenidade. Fomos conquistados pela sua nobreza de carácter. Ficámos todos indelevelmente marcados pelo seu exemplo de dignidade e humanismo. Ao querido Mestre o nosso muito obrigado ! Obrigado, Mestre, por ter partilhado connosco a sua sabedoria, o seu senso de humor, a sua generosidade e bonomia... Obrigada, tio, por ter sido o meu tutor oficial encarregue de zelar pela minha segurança e bem-estar na ausência dos meus pais, o meu guia turístico nas minhas primeiras incursões por Lisboa, o meu GPS personalizado nas minhas andanças burocráticas pela capital, o mentor da minha primeira sessão de cinema, o meu orientador cultural e cívico no meu primeiro concerto na Gulbenkian. O meu catalisador emocional em momentos decisivos da minha vida. Terna é a saudade que me recorda o doce brilho do seu olhar ao encontro do meu, inundado de meninice, naquela manhã de Abril de 1975, quando, ao som de “Grândola Vila Morena”, me disse bem baixinho: “ É a canção da liberdade !” 13 de Junho de 2010, Édia Cristina Pinho Sábias palavras...