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12 de Agosto, 2026

II Concurso Cidade de Aveiro 2006

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São 09h45 e está a ter início o II Concurso de Bandas Filarmonicas Cidade de Aveiro. Os 15 minutos de atraso serão, promete a organização no pequeno comunicado em que igualmente apresentou o JURI, compensados ao longo do dia, sendo de esperar o cumprimento de horários. O auditório encontra-se ainda despido de publico, que se resume, no momento, a algumas dezenas de pessoas. Por razões que se prendem com a distância e convenientes organizativos, não será a Banda Cortesense mas antes a que se desloca desde Grândola a abrir o concurso. A Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense sobe agora ao palco e dará início à sua actuação. Percebe-se alguma ansiedade e expectativa, naturais nestas situações e que certamente o início da actuação tenderá a ultrapassar. Lembramos que temos connosco um painel de comentadores de insuspeita competência que irão dizer de sua justiça ao longo do evento. Até já! __________________________________ 10h05 As grandes organizações e eventos identificam-se pelos pormenores! A FAMDA, organizadora deste concurso, não só não descurou aspectos habituais neste tipo de iniciativas como montou uma estrutura para gravação áudio e vídeo deste evento absolutamente profissional. Notável! O Júri, concentrado e atento à actuação da Banda Grandolense, é composto por 5 elementos, qualquer deles de reconhecida competência e mérito, a saber: - Francisco Ribeiro - José Manuel Ferreira Brito - Luís Cardoso - Evgueni Zoudilkine - Teo Aparício-Barberán A especial atenção que Luís Cardoso dispensa agora à intervenção da Banda que se desloca desde Grândola é natural, dado que a obra em execução “Scherzo para Banda”, obrigatória deste concurso, é da sua autoria. 10h22 Como anunciamos previamente, temos connosco um painel de comentadores de enorme prestígio no universo filarmónico. Estes comentadores intervirão ao longo do dia, sendo fundamental que se perceba que os seus apontamentos não pretendem, de todo, colidir com a soberana e superior decisão do JURI. Aliás, são os próprios comentadores quem ressalvam o papel complementar da sua participação que em nada pretende desautorizar ou minimizar o papel do JURI. Cabe-nos, porém, uma palavra de apreço pela forma generosa como estas 3 personalidades acederam ao desafio que lhes lançamos, conferindo a esta reportagem, permanentemente em directo, um carácter ainda mais enfático. São, então, nossos convidados e comentadores: - Maestro Afonso Alves - Maestro Délio Gonçalves - Maestro José Ignácio Petit A Banda Grandolense terminou agora a sua actuação, saudada calorosamente pelo público presente que é agora já em maior número. Independentemente da apreciação que o JURI e comentadores venham a fazer, percebeu-se, claramente, que houve muito trabalho de preparação para este evento. Instado a pronunciar-se quanto à participação da sua Banda, o maestro Rui Silva destaca o entusiasmo com que a banda preparou a sua participação e os ganhos e dividendos daí retirados. Gostou da prestação da banda e mostra-se agradado com o formato que este concurso assume. Apresentamos já de seguida os apontamentos do nosso painel de comentadores: Comentário do Maestro Délio Gonçalves Foi uma agradável surpresa iniciar esta manhã com uma banda tão jovem. Sem dúvida alguma é uma banda que tem uma margem de progressão muito grande, e que com toda a certeza a vinda a este concurso foi um estímulo necessário ao seu trabalho diário. Percebi a razão da não escolha de um outro tipo ou de uma obra livre. Realidade, o sesafio proposto pela obra obrigatória, viria a fundamentar melhor aquela que cresceu com a minha opinião desde a obra de aquecimento, a de uma banda que paga pela inexperiência de músicos muito jovens, alguns na casa dos 10 anos, mas queria deixar aqui uma palavra de grande estímulo porque o futuro prepara-se hoje. Bem hajam. Comentário do maestro Afonso Alves Uma apresentação fresca e agradável. Músicos muito jovens, o que faz transparecer alguma desafinação resultante da colocação algo inexperiente das embocaduras. Fiquei surpreendido como o resultado na obra obrigatória, difícil, mas que souberam expôr de forma empenhada, adivinha-se grande potencial no futuro, pois o que foi possível observar denota talento natural e entusiasmo. Comentário do maestro Petit Desconheço o progresso desta Banda mas o entusiasmo esta bem papente no “palco”. É possivel que possam melhorar alguns aspectos técnicos mas “ilusão” e o espirito de grupo foi conseguido. A obra obrigatoria é um pouco difícil para o nivel desta banda. Mas não está mal trabalhada. Estou certo que trabalharam muito as aspectos de grupo e individuais. A obra livre está bem melhor que a obrigatória e mostra uma banda diferente. Parabens _______________ A próxima Banda a subir ao palco é a Banda Velha União Sanjoanense. Federada na FAMDA, esta Banda desloca-se de perto, Albergaria-a-Velha, até ao Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, sendo grande a expectativa do publico quanto à sua prestação, já que é apontada por alguns como uma das candidatas aos lugares cimeiros da classificação. Interpreta, para além da peça obrigatória, a obra “Olandese”, de Giovani Orsomando (obra de colocação) e “Peer Gynt”, de Grieg, como obra livre. Terminou, às 11h09, a actuação/participação da Banda Velha União Sanjoanense, fortemente ovacionada pelo público. O maestro Arnaldo Costa destacou a importância da participação neste concurso pela motivação que origina nos músicos. Sobre a prestação da banda refere: “Foram magníficos!”. No que respeita à obra obrigatória diz”esta obra foi uma fonte de inspiração”. Na realidade, a actuação da Banda Sanjoanense não defraudou as expectativas que se criaram, antevendo-se já trabalho redobrado para o JURI. Mas melhor do que nós, o nosso painel de comentadores será soberano nos seus comentários que já a seguir se apresentam: Comentário do Maestro Délio Gonçalves Pediram-me para ser sintético, porque na verdade não tenho mãos a medir. Como compreendo. Então aqui vai: boa escolha para o aquecimento, uma obra que permite testar tudo na sala sem expôr elementos logo ao começar. A obra livre é no meu entender uma má escolha, não só por razões de princípios musicais que me tocam a mim pessoalmente, mas fundamentalmente pelas características musicais da banda. Poderia ter explorado melhor com outro tipo de obra, talvez algo musicalmente não tão delicado. Na obra obrigatória a banda já foi mais feliz. Apesar da boa sonoridade que a banda tem, revela-se por vezes demasiado e falta-lhe um pouco de delicadeza musical, em especial quando se entra em momentos de maior detalhe e em que é necessária clareza sonora no grupo. Manifestou alguma dificuldade ao nível do ritmo na obra obrigatória. Comentário do maestro Afonso Alves A marcha “Olandese” foi uma boa escolha, que permitiu testar as condições acústicas em forte, piano e soli. O resultado viu-se logo na obra livre, “Peer Gynt” onde pequenos problemas de afinação foram resolvidos. Quanto à obra obrigatória, conseguiram uma boa interpretação, homogénea, apenas com pequenas oscilações rítmicas. Percebe-se que se trata de uma banda experiente, com noção das potencialides do conjunto. Comentário do maestro Petit A banda tem um nível indidual/instrumental bom. Na minha opinião, tocam demasiado forte. A sonoridade da banda não é a ideal para tocar obras com a delicadeza do “Peer Gynt”. Deveria melhorar o fraseado, tocam muito igual “plana” e quase não se nota a dinâmica. ____________________________ 11h45 A próxima banda é a que se previra ser a primeira a actuar, mas por razões inerentes à organização foi permutada com a Banda Grandolense. Falamos da Sociedade Artística Musical Cortesense, banda do distrito de Leiria. Interpretará “Ich bete na die Macht der Liebe” como obra de colocação ao passo que a de escolha livre, da autoria de Mathias Rudolph, será “Valdemossa”. Não é tida como candidata ao “ceptro”, mas neste tipo de eventos tudo pode acontecer, ou não tenhamos já o exemplo da 1ª edição deste concurso, ganho tão inesperada como brilhantemente pela Filarmónica União Taveirense. Os aplausos que se fizeram sentir logo após o termo da interpretação da obra “Scherzo para Banda”, com a qual a Banda Cortesense finalizou a sua intervenção, são um justo reconhecimento e manifestação de agrado por parte do público. Ricardo Botelho, maestro da Banda, considera que a participação no concurso é extremamente útil à Banda que precisava de novos desafios para além das romarias. No que respeita à prestação da Banda, entende ter sido “razoável” tendo em conta o trabalho anteriormente feito. Questionado acerca do formato do concurso, manifesta concordância nos aspectos fundamentais. O nosso painel de comentadores efectua uma análise concordante com a apresentada pelo maestro Ricardo Botelho, destacando algumas dificuldades. Lembramos que esses comentários, que abaixo se transcrevem, traduzem opiniões pessoais que em nada influenciam ou desvirtuam a pontuação e classificação que venha a ser proferida pelo JURI. Comentário do Maestro Délio Gonçalves Começou menos bem. A escolha da obra para aquecimento não foi feliz, de tal forma que deixou todos nervosos, impunha-se algo menos delicado e mais sonoro. No seu conjunto para começar e dar maior estabilidade ao agrupamento. Pagou a factura dessa falta de confiança imediatamente a seguir. A obra livre foi bem escolhida e ajustada ao grupo. A banda tem equílibrio físico dos naipes, mas revelou depois, e parece-me em virtude de um início menos feliz, alguma dificuldade em ter os vários ensembles juntos, dificuldades na execução ods rítmos da obra, dificuldades ao nível da afinação da secção dos graves e a afinação esteve muito instável. Melhor na obra obrigatória, mas basicamente com os mesmo problemas. Parece-me que o inicio menos feliz e nervoso foi muito mais forte do que a real capacidade da banda. Comentário do maestro Afonso Alves Colocação nervosa. Aliás o nervosísmo tomou conta da participação desta banda. Curiosamente alguns instrumentistas parecem estar á vontade nos momentos a solo. Com um pouco mais de avontade a prestação teria sido bastante agradável. No “Scherzo” assistiu-se a momentos mais elaborados e com melhor trabalho de conjunto, o que de certa forma me surpreendeu tratando-se da obra com maior grau de dificuldade. Foi pena sentirem-se mais ajustados só a meio da última peça. Comentário do maestro Petit Boa sonoridade e equilibrio entre naipes. Os meus parabéns. Mas creio que poderiam melhorar a secção de graves no que respeita à afinação e à fusão do clarinete baixo com as tubas. Madeiras bem equilibradas mas precisariam de um pouco mais de carácter na música e o destaque das articulações melhoraria o grupo. Em alguns momentos verificaram-se alguns problemas com os tempos. Sinceramente, creio que é um grupo com potencial, que melhorando os aspectos anteriormente referenciados, poderá ser muito mais completo. Parabéns. _______________________________ 12h40 A última banda a actuar na parte da manhã é uma das duas que repete a participação neste concurso, tendo obtido o 3ª lugar na edição do ano transacto. Falamos da Associação Associação Cultural do Couto Mineiro do Pejão. Uma vez mais, para além da peça obrigatória, com a qual encerrará a sua intervenção, interpretará “Epopeia”, de Carlos Taveira, como obra de colocação, e “Uvas do Douro”, de Duarte Pestana, como escolha livre. É uma banda que se apresenta muito bem composta, no que respeita ao numero de elementos, evidenciando ainda uma baixa faixa etária, situação que registamos com agrado e tem sido comum à generalidade das bandas participantes. Dentro de breves instantes traremos até vós as reacções à participação desta Banda. São 13h05, hora a que termina a actuação da Banda do Pejão, fortemente ovacionada pelo público que não apenas presta tributo ao excelente desempenho da Banda – candidata, uma vez mais, ao pódio – como reconhece o mérito pela escolha do reportório, integralmente português! A satisfação é evidente no rosto do maestro Francisco Moreira que refere que a participação em concursos desta natureza faz a banda crescer. No que respeita à prestação da banda, entende que, dentro do trabalho desenvolvido, foi boa. À semelhança dos anteriores maestros, concorda com o formato que o concurso apresenta. A apreciação do nosso painel de comentadores parece ser, também, coincidente com a reacção do público presente que, neste final de manhã, se encontra já em número considerável. Ei-la, em momento em que saímos para almoço e com a promessa que regressaremos ao início da tarde: Comentário do Maestro Délio Gonçalves Bom começo. Uma obra aberta que proporcionou à banda a possibilidade de se enquadrar bem acusticamente em palco. A obra livre, um verdadeiro clássico da nossa melhor música para banda. Põe à prova o agrupamento que se tinha apresentado promissor. A banda está repleta de óptimos executantes e apresenta-se bem trabalhada, coesa e compacta. A sonoridade da banda um pouco agressiva do naipe onde menos se espera! Dos clarinetes. Bons executantes mas de sonoridade muitas vezes agressiva e extridente Comentário do maestro Afonso Alves A peça de colocação, bem escolhida, deixou antever uma boa participação. Manifesto a minha satisfação pela escolha do repertório, totalmente nacional. Bom equilibrio, boa afinação, ritmicamente segura, esta banda na minha opinião conseguiu uma óptima prestação. Pessoalmente considero que é possível melhor as relações de intensidade, quanto a mim demasiado fortes. Também a secção central pode demonstrar maior clareza. Parabéns. Comentário do maestro Petit Bom nível individual, mas o som é demasiado brilhante. A secção dos clarinetes toca demasiado forte. Bombardinos e tubas não são compactas, talvez por estarem muito separados fisicamente. A música tem que ter contrastes dinamicos, para evitar a monotonia. Insisto que melhorando a sonoridade e trabalhando aspectos como o equilibrio e balanço poderiam ter uma magnifico nível de grupo, já que individualmente já o tem. ________________________________ São 15h15 e reiniciará o concurso com uma das prestações mais aguardadas, a da Banda Musical de Monção. O auditório do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro encontra-se agora muitíssimo bem composto (mais de meia casa) e o publico ovaciona a banda logo à entrada da mesma, sinal da presença de aficcionados e também da expectativa que a sua actuação encerra. A Banda apresenta como obra de colocação “La Virgen de la Macarena” e “O Caminho de Santiago”, de Juan Gonzalo Gómez Deval, como obra livre. Sem nos adiantarmos excessivamente em comentários apreciativos, tarefa que deixaremos a cargo do nosso painel de comentadores (esta tarde desfalcado do maestro Afonso Alves) sempre vamos adiantando que o trompetista que interpreta “La Virgen de la Macarena”, Ruben, um jovem no início da adolescência está a dar um verdadeiro espectáculo! Isto promete!! 16h10 Terminou a actuação da Banda de Monção e o ambiente que se vive é de verdadeira apoteose. Temos, efectivamente, candidato ao trono! O público, que neste momento quase enche o auditório, confere ao momento um colorido e ambiente extraordinários. Colheremos de seguida a opinião do seu director artístico, José Vicente Simeó Máñez, bem assim como a opinião dos nossos convidados esta tarde, Délio Gonçalves e José Petit. O maestro destaca sobretudo a importância da participação neste evento, pela motivação que provoca nos músicos. Entende que para uma banda que há apenas 2 anos tinha menos 30 músicos do que na actualidade, (estes entretanto criados na escola da Banda), a prestação foi muito boa. No que respeita ao formato do concurso, manifesta discordância, sobretudo porque entende que deveria haver níveis estratificados de selecção. Comentário do Maestro Délio Gonçalves Nota negativa para o aquecimento. Para além de desadequado na escolha, é revelador de uma grande falta de humildade e de total desrespeito pelo público e pelos concorrentes utilizar um jovem virtuoso e com um futuro brilhante à sua frente se o souber aproveitar e se fôr devidamente encaminhado. Espero que assim seja. Este jovem trompetista terá concerteza muito para dar, e para bem da música, assim o esperamos todos. Aguardemos então pelo futuro musical deste jovem talento. Espero é que os nossos maestros não tomem o exemplo pelo “show off” deixado até porque nem era necessário. A banda repleta de excelentes executantes com ensembles completos e equilibrados, mostra uma maturidade muito grande, a começar pela obra livre, em que possibilita ao ouvinte disfrutar dos mais variados timbres e pormenores que uma banda pode oferecer. Um pouco desequilibrada nos tuttis entre metais e madeiras. Os metais sempre um pouco demasiado, sobrepondo-se por vezes de uma forma que causou alguns problemas rítmicos. Não conhecendo a partitura da obra obrigatória, até porque a estreia acontece hoje, nota-se algumas diferenças substanciais a nível interpretativo, resta saber se são da obra ou da autoria do regente, bem como algumas questões do foro rítmico e dos andamentos da obra. Obviamente estamos a falar de alguns executantes muito bons e o conjunto paga a factura de algum impeto por vezes exagerado que prejudica o resultado final em especial ao nível do equilibrio dos naipes, dinamicas e fraseado. No âmbito geral, muito bom. Comentário do maestro Petit A banda tem em geral um bom som e afinação aceitável, mas não devemos de deixar passar que a média de idade da banda é maior que as que até agora cá passaram. Há aspectos como o balanço que poderiam melhorar, concretamente a secção de trompas que é anulada em algumas ocasiões por trompetes e trombones. Há desajustes nas entradas de diferentes naipes. A artigulação geral é boa, mas creio que se pode tirar muito mais fraseado da partitura. Tanto na obra livre como obrigatória, os metais anulam as madeiras, destacando o excesso de brilho nos trombones. A secção central da obra obrigatória não está claro o diálogo entre os solistas, não se distinguindo as diferentes linhas melódicas de cada instrumento. Não me parece correcto pôr uma jovem promessa à frente de uma banda para uma obra que tem como finalidade o aquecimento. Primeiro é a música!!!! Mesmo assim, parabéns.... para a banda. _____________________________ 16h15 Sobe agora ao palco a Banda de Música de Loureiro que, a para da Banda do Pejão, repete a participação neste concurso. Dirigida pelo maestro José Pedro Figueiredo, apresentará “Festival Fanfare”, de Franco Cesarini, como obra de colocação e “D Day” como obra de escolha livre, esta da autoria de Alex Poelman. Em condições normais esta seria uma Banda para ficar “no meio da tabela”, mas a experiência vai-nos dizendo que em eventos deste tipo tudo pode acontecer. A excelente performance na obra de colocação não apenas confirma o que atrás se disse como é prenúncio de uma actuação que dará dores de cabeça ao JURI. 17h00 Terminou há instantes a participação da Banda de Loureiro e o mínimo que se poderá dizer é que se confirma a célebre frase de que “prognósticos… só no final do jogo!” Teremos, com certeza, árdua tarefa para os 5 elementos que compõem o JURI! Mas vamos desde já às reacções, começando pelo maestro da banda: José Pedro Figueiredo alinha pelo mesmo diapasão dos restantes maestros, relativamente às vantagens que este tipo de eventos trazem em termos do desenvolvimento e motivação da banda. Quanto à prestação da banda, diz-nos que esta “fez o melhor que pôde”. Afirma ainda: “creio que considerando as potencialidades da banda, a prestação foi boa e fiquei satisfeito.” Embora concordado, grosso modo, com o formato do concurso, tem uma opinião muito própria acerca de aspectos particulares sobre os quais gostaria de dar o seu contributo em momento e espaço próprios. Comentário do Maestro Délio Gonçalves Aproveitou mal o aquecimento! A obra revelou-se pouco extensa, recomendava-se algo um pouquinho maior, que permitisse um melhor enquadramento dos músicos até pelo que viria a seguir. “D Day” de Alex Poelman, inicia-se com alguma complexidade em termos de afinação e equilibrio dos naipes, em especial dos metais, que não estavam ainda preparados para enfrentar o que se avizinhava. Apesar de a banda não estar equilibrada (falta de clarinetes) em função do resto da orgânica, o timbre aceita-se. Banda com elementos muitos jovens, mas que já revelam uma maturidade muito interessante. O desafio colocado á banda escolhida pelo maestro revela-se adequado. Pequenos pormenores de afinação e no fraseado são insignificantes para o resultado final. Comentário do maestro Petit Esta banda surpreendeu-me pela positiva. É uma banda muito jovem. Na obra obrigatória a secção central de oboés, fagotes, trompas e flautas são naipes evidenciados. Aspectos como a afinação, som, sonoridade, etc. podem melhorar, mas isto é só uma questão de tempo, já que a nível individual de cada um, será cada vez melhor. O mais importante desta banda, é que soube criar contrastes de fraseado e dar o carácter de música adequado a cada momento.. Conseguiram o melhor e o mais difícil, que é tocar o que não está escrito, ou seja fazer música. O resto é uma questão de tempo, os meus mais sinceros parabéns. Continuem assim. Fantástico. _______________________ 17h15 Faltam apenas 2 bandas para encerrarmos a participação daquelas que se apresentam a concurso. Relembramos que o evento será encerrado com um concerto pela Banda Amizade, mas isso será apenas logo à noite… Para já, cabe à Sociedade Artística Banda de Música de Vale de Cambra “mostrar o que vale”, ainda que tal seja válido apenas para este contexto e circunstância. A sua actuação, também ela enormemente aguardada, poderá ser mais um problema para quem tem que fazer a contabilidade final! Esta banda tem a particularidade de integrar nas suas filaeira o musico mais idoso a participar no certame, o Sr. Armando Silva, com 84 anos. E já que fazemos um apontamento sobre idades, refira-se também que o músico mais jovem é uma menina, Joana Soares, que integra igualmente a Banda de Vale de Cambra, e que a Banda com mais baixa média etária (20,53 anos) é a Banda de Grândola. A Banda de Vale de Cambra apresenta-se a concurso com a obra obrigatória, “Scherzo para Banda”, tendo optado pela obra “Alhambra” como obra de colocação e por “Overture to a New Age”, de Jan de Haan, como peça de escolha livre. Daqui a nada já traremos informação detalhada e comentários sobre a actuação da Banda de Vale de Cambra. 17h50 A Banda de Vale de Cambra findou há instantes a sua participação, fortemente ovacionada pelo imenso público presente que torna a sala quase insuportável tal o calor que se faz sentir. Digamos que o brilhantismo da actuação da banda também ajudou a aquecer o ambiente. Mas melhor do que nós, o nosso prestigiado painel de comentadores se poderá posicionar face à performance desta banda. Ainda antes disso, vejamos como o maestro, Gil Magalhães, avalia a prestação da sua banda: “É bom para a banda a participação em concursos pela motivação e responsabilidade que introduz. A banda foi igual a si própria, tendo feito o melhor que pôde, deixando-me muito satisfeito e até orgulhoso.” Gil Magalhães não concorda com o formato do concurso. Comentário do Maestro Délio Gonçalves Bom aquecimento! A escolha foi adequada à banda, as suas características e potência num bom desempenha no que se avizinhava. A obra livre foi sem dúvida alguma uma excelente escolha em virtude das caracteristicas da banda. Teve algumas pequenas coisas ao nível do ritmo geral da banda, do fraseado e no conjunto dos ensembles em momentos mais sensíveis da obra, mais em virtude da interpretação pedida aos músicos do que por falta de qualidade dos mesmos. A afinação poderia ter estado melhor bem como o equilíbrio entre as madeiras e os metais que se sobrepuseram muito em especial nos tuttis, danificando o colorido da banda. Na obra obrigatório, notou-se um pouco mais de dificuldade na interpretação na afinação que esteve mais inconstante, e sempre que as mudanças de carácter bruscas da obra se impunham. Agrupamento em grande potencial de trabalho, necessita um pouco mais de escola. Se eu estivesse só a ouvir, diria que a banda só tem primeiros clarinetes e não é verdade, recomendo tomar um pouco mais de atenção ao equilíbrio do naipe. No geral “bom”. Comentário do maestro Petit Sonoridade brilhante. Primeiros clarinetes demasiado fortes. As dinamicas podem melhorar. As mudanças dinâmicas, afectam os tempos. Bom equilibrio entre trompas e saxofones. Metais geralmente fortes. Secção central da obra obrigatória não estão muito claros. Demasiada massa sonora. Como conclusão geral, penso que o grupo pode ter melhor resultado fazendo um trabalho de sonoridade de grupo, fraseio e articulação. Respeito muito o trabalho desta banda e pelo esforço realizado para participar neste concurso. _____________________________ 18h10 Cabe à Banda de Música da Cidade de Espinho encerrar este evento e há já quem tenha manifestado a ideia de que a sua classificação final poderá muito bem ser a inversa da ordem de actuação. É algo que apenas poderemos saber daqui a umas horas, em directo e exclusivo aqui, no sítio do costume. A Banda de Espinho apresenta como obra de colocação o passodobre “Vila Franca” de Jorge Salgueiro. A obra de escolha livre, da autoria de Philip Sparke, é “Between Two Rivers”. Vamos a ver se o maestro Hélder Tavares consegue extrair desta banda, inegavelmente recheada de músicos telentosos, todas as potencialidades. 18h55 Terminou! Com a brilhante participação da Banda de Espinho é chegado o final do concurso que, contudo conhecerá apenas o seu epílogo (e a divulgação das classificações) mais logo à noite. Sem nos alongarmos, diríamos que o nível médio das participações foi elevado, embora algumas bandas, como foi o caso desta última, se tenham evidenciado. Essa é, porém, tarefa para o JURI, e não será tarefa fácil. Sem prejuízo da decisão que aquela entidade venha a proferir, apresentamos já de seguida a opinião dos maestros Délio Gonçalves e José Ignácio Petit, sem que antes, contudo, cheguemos à fala com o maestro Hélder Tavares para colher, igualmente, a sua opinião, após o que nos despedimos com um até logo, que a parte mais emocionante ainda está para vir! Hélder Tavares: “Claro que é muito importante participar nestes eventos porque só com o entusiasmo que irradiam é possível trabalhar este tipo de reportório”. No que respeita à performance da banda, refere “gostei muito; a banda correspondeu às minhas expectativas”. Hélder Tavares é mais um dos maestros que manifesta desagrado face ao formato do concurso acrescentando, neste capítulo, mais achas para a fogueira que a FAMDA certamente procurará avaliar e atenuar. Comentário do Maestro Délio Gonçalves Bom aquecimento! Apesar de no meu ponto de vista entender que deveria ser outra coisa, mas isso não importa para o efeito. O que é verdade é que resultou, deu uma lufada de confiança à banda. A obra obrigatória com boa interpretação, com pequenas coisas ao nível do ritmo e alguns detalhes individuais que me pareceram passar ao lado de alguns naipes mas que só com a partitura em meu puder, poderia verificar a 100%. O importante mesmo é que a banda aparece com muito bom equilibrio, com a afinação bastante aceitável, bons executantes e os ensembles a funcionarem muito bem. A obra livre, uma escolha difícil, mas sem dúvida á altura da banda. Clareza de som, equilibrio dos naipes, transparência do contraponto e dos diferentes coloridos impostos pela obra. Banda muito bem esquilibrada, sem ensembles agressivos e a sobreporem-se! Obra de execução difícil. No Ãmbito geral teria gostado da sonoridade dos clarinetes mais transparente. O naipe soou por vezes um pouco sujo. A banda soou como um instrumento. Parabéns. Excelente. Comentário do maestro Petit Do meu ponto de vista, baixaria um nível todas as dinamicas, dado que a sonoridade por vezes é demasiado “grande”. A interpretação da obra obrigatória foi a mais completa de todas as bandas. Os compassos antes da fuga tiveram boa interpretação deixando ouvir os trompetes. O equilibrio foi em geral bom, sendo que as tubas tocaram demmasiado forte em alguns momentos e o clarinete baizo e sax baritono em algumas ocasiões tocado também demasiado forte sobrepondo-se às tubas. A fraseado poderá ter mais “direccion”, mas é aceitável. Destacar que a afinação da banda é boa. Um bom trabalho de articulação e como conclusão final e fazendo um balanço de todos os aspectos técnicos, creio que é a banda mais completa, a melhor banda do concurso. _____________________________ 23h40 CLASSIFICAÇÃO DO CONCURSO 1ª. Classificada - Banda Musical de Monção 2ª. Classificada - Associação Cultural do Couto Mineiro do Pejão 3ª. Classificada - Sociedade Artística Banda de Música de Vale de Cambra