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02 de Agosto, 2026

Maestro Costa Pinto, acerca do festival Filarmonia

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A Evolução Bandística está no bom caminho! Que surpresa – que Grande surpresa! – O festival Filarmonia ao Mais Alto Nível, ao qual assisti no passado dias 25 de Março, no Europarque, em Santa Maria da Feira. Organizado por uma empresa comercial de instrumentos musicais, dirigido por um músico e dinâmico empreendedor, Mário Cardoso, coadjuvado por excelente equipa, o resultado foi um bom concerto com assistência invulgar, cerca de mil melómanos! Quatro foram os agrupamentos sinfónicos, duas bandas filarmónicas e duas orquestras de sopros e percussão, que ouvi. As bandas filarmónicas são centenárias, pelas colectividades nas quais se integram, as orquestras de sopros e percussão são oriundas de escolas de música, recentes, com um traço comum: a juventude da maioria dos elementos que as compõem, incluindo os directores musicais, aptos a interpretarem não só o tradicional 2/4, ou as infalíveis transcrições de Tchaikovsky e Suppé, mas o actual reportório para banda de Alfred Reed, Milhaud, Van der Roost, Holst, Reineke, estão nos seus horizontes. Dois factos me permito salientar da execução musical, o 1º, a belíssima Sonoridade destes agrupamentos, obtida não só pelos bons instrumentos que possuem, mas especialmente pela qualidade de execução técnica dos músicos que revelam uma preparação escolar avançada; o 2º tem a ver com a direcção musical dos responsáveis que demonstram, no seu labor, uma qualidade, mercê de preparação aturada e profissional, cujo resultado está presente na audição de reportório que requer precisão, dinâmica e execução rigorosa. Um factor importante para obtenção destes requisitos – precisão, dinâmica e execução – é o “tempo” que cada elemento desenvolve ‘per si’ e que o maestro consegue aprimorar no seu trabalho de preparação (ensaios) da banda ou/e orquestra. Apesar destas considerações, há um ‘senão’ que não posso deixar de enunciar, o excesso de apresentação de reportório internacional, em detrimento de obras portuguesas, com uma honrosa excepção, a obra "Marchas de Arraial", opus nº.8 de Nelson Jesus, cuja temática popular é tratada com imaginação ao explorar as texturas rítmica e harmónica, dentro das correntes composicionais actuais – Parabéns -, é um dos caminhos para a Evolução da música bandística em Portugal. Jorge Costa Pinto Parede, 2 de Abril de 2012.