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Marcial de Fermentelos em Tarouquela (Cinfães)
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A freguesia de Tarouquela está situada no extremo norte do concelho de Cinfães, muito perto da sua margem ocidental e no limite com o concelho de Baião, do distrito do Porto.
Pelo meio, o rio Douro. O seu povoamento remonta a épocas anteriores à fundação da Nacionalidade. O dólmen de Alto da Coruja 1 data do período neo-calcolítico. De dimensões médias, conserva ainda quatro esteios e a laje de cabeceira, embora parcialmente enterrada. Do período Romano é uma estrutura do século I encontrada em Passos.
Terá sido parte integrante de uma habitação de formato sub-rectangular com cobertura de tegulas e imbrices, pavimento de barro, duas lareiras e uma possível área dedicada à indústria da tecelagem. A vila de Tarouquela é citada na documentação escrita desde o século XI. O Mosteiro Agostinho, à sombra do qual a povoação cresceu e se desenvolveu, já é referido desde 1163.
Tarouquela foi até ao século XVIII concelho, ao qual pertencia a actual freguesia de Espadanedo. Quanto ao Mosteiro, começou por ser da Ordem de Santo Agostinho mas que, logo em finais do século XII, passou para a Ordem de S. Bento. Em finais do século XII, a abadessa do Mosteiro era D. Urraca Viegas, filha de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques.
Classificado como monumento nacional, apresenta características românicas, góticas e maneiristas. No interior, saliente-se o retábulo de talha policromada maneirista. Exteriormente, as poucas aberturas, típicas da arquitectura românica. Funciona hoje como igreja matriz da freguesia.
Os Padrões do Couto de Tarouquela são outro dos monumentos de interesse histórico, relembrando a importância que a povoação teve no passado.
Na Igreja de Santa Maria de Tarouquela conservam-se porções de rebocos pintados quer na capela-mor, quer no arco triunfal (conservam-se partes de pintura sobre reboco colorindo os relevos românicos) e suas jambas (talvez motivos vegetalistas, possivelmente do século XVI), quer na nave, quer na zona do óculo que se encontra no espaço que serve actualmente de sacristia.
Para além disso, existem pequenos testemunhos da pintura mural de gosto manuelino (gosto que se afirma no reinado de D. Manuel I (1495-1521) e prosseguiu após a sua morte, ainda que já existisse desde o reinado de D. João II (1481-1495), que se encontram em peças de granito que sustentam os altares de fora (altares colaterais) e que exibem interessantes barras com motivos decorativos, incluindo um motivo que se apresenta como uma sucessão de arcadas.
A base pétrea do púlpito tem a peanha de suporte pintada em diversas cores que enfatizam os seus motivos escultóricos e as lajes pétreas estão pintadas com marmoreados fingidos, que poderão ter sido pintados ainda no século XVIII.
Ainda neste concelho é possível identificar outros vestígios de pintura mural a fresco, nomeadamente em São Pedro da Ermida, situada na freguesia de Oliveira do Douro.
Este edifício encontra-se em ruínas, estando a capela-mor destelhada. No arco triunfal são visíveis pequenas porções de pintura mural que julgamos serem do século XVI. Teremos que esperar pelo restauro desta Igreja para saber o que se esconde debaixo das extensas caiações que ainda subsistem.
As festas que se realizam em honra de Santa Maria Maior, em Tarouquela, constituem grande manifestação de fé religiosa e popular do concelho, terão lugar no próximo dia 2 de Agosto e contarão com a participação da Banda Marcial de Fermentelos e da sua congénere Banda Marcial de Tarouquela, cuja actuação se iniciará a partir das 8.30 horas e decorrerá, em despique, até à 1.00 da madrugada.
Os interessados em acompanhar a Marcial a Tarouquela podem reservar o respectivo lugar no autocarro através dos telefones 234191590 (Ester Pepino) e 234721004 (Barbearia Costa).
Jorge Mendonça