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16 de Agosto, 2026

Nova Orquestra de Sopros dirigida por Afonso Alves

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Orquestra de Sopros ou Banda Sinfónica? É por adicionarem cordas que se denominam “Sinfónicas”? Muitas Bandas da região de Valência – Espanha – também se denominam “Bandas Sinfónicas” e, tal como esta que dirigiu Afonso Alves, não tem cordas. Tivemos no ano passado uma excelente Banda Sinfónica Espanhola, sem cordas, (Manissense) em Coimbra. Foram mais de 70 músicos que se juntaram para formar esta Orquestra sob a direcção deste famoso compositor, que proporcionou a todo o auditório um grandioso espectáculo. Um espectáculo que terminou em apoteose com a execução do 1812 e os cinco Orfeões, que se associaram a esta festa de aniversário, a cantar “mais alto e mais além” - lema do orfeão do Aniversariante. Foi uma festa brilhante sem dúvida. A Orquestra fez a primeira parte com um programa eminentemente português onde se incluiu uma estreia mundial – Abertura para Banda - dedicada precisamente ao Orfeão do Porto, cujo título é, como acima se refere, o seu lema: “Mais Alto e Mais Além”. Escrita por Afonso Alves é uma obra surpreendente ao nível de qualquer das melhores internacionais. O Fantasma da Ópera de L. Weber fez também parte do conteúdo deste programa. “Play it Cool” e “Malhão Sentido Malhão Sonhado”, ambas de Afonso Alves, constaram igualmente do programa na primeira parte. Na segunda parte, depois de cumpridas todas a formalidades protocolares, normais deste género de evento, iniciou-se um novo estilo de concerto desta vez com Banda e os respectivos coros. Relativamente à primeira parte, finalmente tivemos um concerto em que homenageamos o que é nosso, sem preconceitos, o que é normal no compositor Afonso Alves: assumir o que faz e não ter medo de o apresentar, assim como outros ilustres compositores da nossa praça…felizmente! Não está em questão se as nossas obras têm ou não tanta qualidade ou prestígio como as obras primas de Beethoven, Mozart, Wagner ou outros clássicos. Não é isso que está em questão. É sim, permitir-nos estar a par do que vamos criando, apoiando e incentivando quem cria. Seja bom, muito bom, (que por sinal até é o caso) ou até que não seja assim tão bom - a apreciação é sempre subjectiva - interessa é que não fique esquecido e que tornemos público, através de concertos como este, o que existe. Devemos congratular-nos por ter quem escreva, quem execute bem. Seja orquestra, musico, ou maestro. E temos, felizmente! Incentivemos os nossos compositores a serem criativos e a não terem medo de apresentarem o que criaram. Da crítica, efectivamente não se livram. Mas como diz o nosso compositor Valdemar Sequeira, “normalmente quem critica não sabe fazer melhor, por isso a crítica vindo dai tem o valor que tem.” Se, por ser um clarinetista português, ou um trompetista, ou outro músico qualquer ou um maestro, (português) os não vamos apoiar, os não estimulamos, que qualidade e quantidade de músicos esperamos ter no futuro? Será que aos nossos devemos exigir que sejam sempre os melhores do mundo para, só então, os prestigiarmos? Que prestígio poderemos alguma vez ter fora de portas, se não nos prestigiamos cá dentro? A casa esteve cheia. O nível, a beleza deste espectáculo dispensam quaisquer outros comentários.