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31 de Julho, 2026

Orquestras do Conservatório de Música de Vila Real

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Foi um concerto fantástico! Sonoridades que iluminaram o espírito das inúmeras pessoas que encheram no sábado passado grande parte do Auditório Municipal de Vila Real. Os clarinetes e os instrumentos de cordas do Conservatório Regional de Música de Vila Real (CRMVR) foram soberbos de intensidade e de arte. Duas orquestras formadas por alunos jovens muito promissores, alguns já aureolados pelo toque mágico de um certo profissionalismo reconhecido em boas orquestras nacionais. O conservatório da nossa cidade está de parabéns porque mostrou, mais uma vez, um ensino de qualidade que em pouco tempo de existência tem dado bons frutos. As orquestras de cordas e de clarinetes mostraram a sua classe, a sua alegria contagiante, entrelaçando a elevação da espiritualidade juvenil com a graciosidade e rigor de uma interpretação de fazer inveja a formações mais experientes… Este concerto distinguiu-se bastante de outros a que eu já assisti. Tratou-se na verdade de pequenos músicos que encantaram em vários sentidos. Talentos enormes em corpos tão dóceis e tão frágeis. O próprio concerto decorreu de um modo que não é nada habitual neste tipo de eventos, nos quais apenas se toca música. Houve mistura de representação e bom-humor com música que nunca deixou de entusiasmar até ao final do espetáculo. O professor Luís Filipe, responsável pela orquestra de clarinetes, esteve simplesmente irrepreensível na condução (o que já não surpreende ninguém), bem como na forma graciosa e pedagógica com que lidou com situações de hilariante teatralidade o que originou da assistência sorrisos e fortes aplausos. Esta orquestra apresentou um programa ambicioso e variado, assentando alguns temas em fortes contrastes de dinâmicas cuja comunicação com o público fluiu sem dificuldades nem obstáculos. Alguns músicos demonstraram uma técnica e uma sonoridade espantosas combinando torrentes de frescas ideias com energias dinamizadoras… Quanto à Orquestra de Cordas ela impressionou igualmente em musicalidade e disposição no palco com músicos desprovidos de formalidades desnecessárias, imperando sim, a alegria límpida dos rostos, o encantamento revestido de pureza na execução e um som transparente e quase imaculado com alguns arcos a desenharem sons e texturas sonoras de fazer arrepiar. As melodias repetiam-se, modificavam-se, procuravam figuras semelhantes e centenas de finos arabescos serpenteavam por atalhos estreitos e voltavam-se a libertar, purificadas com sentimentos apaziguados e serenos… Também a juventude do professor Edmundo Pires se enquadrou perfeitamente no espírito de uma orquestra jovem na idade mas a dar provas de que em pouco tempo poderemos ter uma formação de alto nível capaz de impressionar em qualquer sala do país. E não seria de espantar, pois este professor tem todos os ingredientes humanos e artísticos para o conseguir… Este concerto esteve inserido no Festival de Ano Novo (FAN) em que o CRMVR proporcionou um conjunto de grandes espetáculos aqui mostrando uma vez mais um ensino musical virado para as exigências futuras numa dinâmica empreendedora com o propósito de servir a música, os músicos e a grande região transmontana. Região com ancestrais tradições musicais que não prescinde da música nas suas diversas e multifacetadas facetas. Parafraseando Hermann Hess: O que seria da nossa vida sem música? Se ma tirassem, proibissem ou arrancassem à força da memória, a mim ou a alguém minimamente amante da música, os corais de Bach, as árias da Flauta Mágica ou o Fígaro, isso seria para nós como a perda de uma parte do corpo, metade ou de todo um sentido”. Adérito Silveira