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Mateus e a sua Banda com esta actuação de proximidade e intimismo com o público, mostrou a razão por que várias vezes pisou este grande palco de vida e de arte! Quase perfeito. É a palavra que agora me ocorre. É a expressão que melhor se adequa à qualidade do Concerto que a Banda de Mateus ofereceu no Carnaval no Teatro Municipal de Vila Real. Só por si, as peças que a banda tocou, fizeram sobressair uma inexplicável capacidade de tocar com um som próprio, potenciando uma limpidez de interpretação, num repertório cujos ingredientes de dificuldade técnica, só algumas bandas de música conseguirão ultrapassar. O resultado do concerto, definiu-se numa singular sonoridade; bela, delicada e versátil…assombrosa nos fortes arrebatadores dos metais. A energia do "Orfeu no Inferno" foi o paradigma dum diabolismo fantasmagórico que a propulsão dessa força proporcionou. E, traçando desenhos no ar com a batuta, o maestro Carlos Pereira coordena todos os sons, meticuloso e seguro, no controlo rítmico, denotando uma actividade física e cerebral eficaz, levando a banda a uma justa união na percepção do som captado sem discrepâncias nem desatenções. Por detrás do que se ouve, há certamente um trabalho muito sério e competente e há também potencialidades musicais que em Mateus fervilham e são muito bem exploradas. A continuidade de uma grande história, com quase dois séculos de existência, está agora a tomar proporções de qualidade técnica e interpretativa nunca dantes atingida, explicada, em parte, pela existência das escolas de música das bandas e do Conservatório de Música, pela concepção refinada de alguns instrumentos como garantia de alto nível de sonoridade e, naturalmente pelos apoios que as colectividades filarmónicas hoje têm, comparativamente com outros tempos… Este concerto, foi a todos os níveis memorável, desde a encenação da entrada dos músicos, até à escolha e interpretação das peças escolhidas. Tudo foi singularmente original, assinalado por uma capacidade de invenção e uma sede irreprimível de surpresa. Cada naipe vestia a sua cor pintada de vida e entretenimento visual, levando a assistência a deliciar-se no admirável mundo da fantasia. Concerto de Carnaval em trajes de Carnaval: união perfeita num casamento que merecerá durar por muitos anos… A banda fechou o concerto com um encore, revestido de magia, com a exibição da "Segunda Valsa" de Dimitri Shostakovitch; música com movimento, graciosidade e apelo inapelável à dança, resultando num desassossego de passos desenvoltos e leves, por um par elegante e desinibido que inundou de entusiasmo o Teatro Municipal de Vila Real. Este par, na sua graça, traduziu pela dança a maravilhosa linguagem musical, como fonte de comunicação, exortando a banda a uma entrega fraternal no modo de tocar - Há momentos emocionais que podem atingir os limites do inexprimível…em alguns instantes, isso terá acontecido. Bravo aos jovens músicos de Mateus, que são uma lição para todos nós nos dias de hoje, onde tantas vezes os verdadeiros valores das sociedades modernas são maltratados e confundidos… a sua emancipação artística baralha-nos e impressiona-nos. Mateus e a sua Banda com esta actuação de proximidade e intimismo com o público, mostrou a razão por que tantas vezes pisou este grande palco de vida e de arte! Faço votos sinceros para que outras bandas de música do nosso concelho sigam estes passos de fascínio e de sucesso! Talento não lhes falta…Ficamos à espera. Banda de Mateus: banda de jovens, onde a música neles exerce o fio condutor da lucidez de ideias, ao mesmo tempo que os preenche e prepara para um mundo aliciante de sons que cantam o milagre da vida e a transformação do desejo inefável para um pequeno contributo de paz universal! Adérito Silveira - Maestro do Coro de Vila Real