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VI Concurso Internacional de Jovens Maestros
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Luís Clemente é um dos 15 seleccionados de todo mundo para o VI Concurso Internacional de Jovens Maestros, em França. É fanático por Pink Floyd e gosta de todo o rock sinfónico mas quando está a dirigir uma orquestra entrega-se por completo a Mozart. "Como músico gosto de toda a música que seja boa, não tenho um género preferido", diz Luís Clemente, de 33 anos, o único português seleccionado para o Concurso Internacional de Jovens Maestros, em Maio, em França. O alentejano vai concorrer com mais 14 maestros de todo o mundo. "Vai ser exigente", confessa. "Por mais experiência que se tenha há sempre um nervoso miudinho. Evito criar demasiadas expectativas mas gostava gostaria muito de passar a primeira fase da competição", admite. Foi na Banda Filarmónica de Ferreira do Alentejo que Luís deu os primeiros acordes na música quando tinha apenas oito anos e, agora, é ele o maestro do agrupamento. "Era o único sítio que havia. Nunca me esqueci de como aquele sítio foi importante para a minha formação e para as escolhas que fiz na minha vida." Na banda tocava saxofone mas no Conservatório o seu instrumento era a guitarra clássica. Quando tirou a licenciatura em Ciências Musicais, em Lisboa, continuou a ensaiar com a banda aos fins-de-semana. Só no último ano do curso, em Erasmus em Granada, esteve mais ausente da Sociedade Recreativa. "Quando voltei quis logo ir ao ensaio mas a banda estava muito em baixo. As pessoas mais velhas tinham saído, não havia gente nova. Não havia nada. A direcção fez- -me um convite, se eu não quereria tomar conta da banda. E eu pensei: por que não? Poderia ser engraçado." Na altura, não fazia "a mais pequena ideia do que seria conduzir uma orquestra", mas com, alguns cursos e muita dedicação, não tardou a perceber que esta poderia ser a sua nova carreira. Tirou uma segunda licenciatura, em Londres, já em Direcção de Orquestra de Sopros, a que se seguiu um mestrado em Etnomusicologia, na Argentina, e está neste momento a terminar um segundo mestrado também em Direcção de Orquestra, em Itália. E já a pensar no doutoramento. Entretanto, concilia os estudos com a docência (é colaborador, por exemplo, da Universidade de Berkeley, nos EUA, onde dá aulas de cultura musical portuguesa, nos cursos de Verão) e direcção de orquestras - já foi convidado a dirigir em Espanha, Áustria, Suíça, Hungria, entre outros países. E com a banda de Ferreira do Alentejo, claro. "Sempre achei que era importante fazer algo pela minha comunidade. Tenho muito orgulho de ter começado ali." Pela sua mão, a banda voltou a ter muita gente nova e um repertório actualizado. "Quando eu era miúdo muitos dos meus colegas diziam que a banda era foleira. Agora já ninguém diz isso", conta Luís, orgulhoso. "Gosto muito de os ensinar, de lhes mostrar músicos que eles não conhecem, desse lado mais pedagógico. E também me preocupo bastante com a selecção do repertório, que tem de ser adequado a cada grupo de músicos." É muito diferente dirigir uma banda amadora ou uma orquestra sinfónica, mas em todos os concertos Luís sente que "é mesmo um privilégio estar à frente daqueles pessoas e canalizar aquelas energias todas". Mesmo que seja numa competição. Fonte: http://dn.sapo.pt