Agenda :

De momento não existem eventos registados

30 de Julho, 2026

26º festival da UBA e homenagem ao Maestro João Neves

Clique na imagem para ver o tamanho original

Realizou-se no passado Domingo o 26º festival-concerto da União de Bandas de Águeda-UBA, colectividade que congrega todas as filarmónicas do concelho.

O evento iniciou-se com um desfile que saiu das imediações da sede da filarmónica anfitriã, a Associação Cultural e Recreativa Banda Nova de Fermentelos, em direcção ao Largo de Nossa Senhora da Saúde, local onde ocorreu a actuação.

Logo de seguida, realizou-se uma cerimónia de homenagem ao Maestro João Neves, o mais antigo de todos os que dirigem as bandas filiadas da União de Bandas de Águeda-UBA, durante a qual usaram da palavra os presidentes da União de Bandas de Águeda-UBA (António Silva), e da Câmara Municipal de Águeda (Gil Nadais), que conjuntamente com os presidentes das direcções da Sociedade Recreativa e Musical 12 de Abril (Hélder Filipe Pires), da Associação Musical e Recreativa Castanheirense (Mário Jerónimo), da Sociedade Musical Alvarense (Salomé Castanheira), da Banda Marcial de Fermentelos (Jorge Mendonça), e da Associação Cultural e Recreativa Banda Nova de Fermentelos (Aurélio Carvalho), entregaram lembranças ao homenageado, que no final agradeceu, reconhecido, comovido.

Uma homenagem ao Maestro João Constantino Duarte Neves nunca seria um acto de justiça, esobretudo um gesto de pedagogia cívica, se fosse restrita à da sua actividade como maestro de bandas filarmónicas.

Na verdade, apesar de ser esta a faceta mais visível de uma actividade que desenvolve desde 1980, ou seja há já quase três dezenas e meia de anos, uma homenagem ao Maestro João Neves é, e será sempre, um tributo a alguém que iniciou a sua preparação musical aos 10 anos de idade, que aprimorou a sua formação em conservatórios sob a direcção de personalidades de reconhecido mérito, que concluiu estudos com elevadas classificações, e que pela sua notável capacidade, assumiu responsabilidades em formações civis e militares de reconhecida craveira actuando, como executante e como maestro, em concertos de alto gabarito, algumas vezes acompanhando figuras de prestígio internacional.

Porque a virtude é algo que se transmite através do exemplo, uma homenagem ao Maestro João Neves também vai para além do seu reconhecimento como executante exímio, importando por isso registar a sua exemplar actuação como organizador de eventos, designadamente festivais de bandas e cursos de férias para regentes e músicos, e como arranjador de obras cuja excelência é retribuída com efusivas manifestações por parte do público.

Como expressão de uma justa homenagem, o pelo alto e relevante serviço que tem conferido à música, o percurso do Maestro João Neves é por tudo isto credor de um sentido agradecimento da Banda Marcial de Fermentelos, que assim reconhece com gratidão o indelével testemunho de vida que é o seu sacrifício, a sua emoção e a sua dedicação à causa da filarmonia, dinamizando-a com contagiante dedicação, empenho e alegria, e na qual tem investido a sua vida, realizando uma carreira que tem abraçado com autêntico espírito de missão.

Parabéns Maestro João Neves!

Esta homenagem culminou com uma actuação conjunta das cinco bandas participantes sob a direcção do Maestro Pedro Neves, a qual solenizou o momento com a interpretação da obra “Pomp and Circunstance”.

Depois deste momento de homenagem, aconteceu a actuação individual de cada uma das bandas do concelho, iniciando-se pela mais jovem, a Sociedade Recreativa e Musical 12 de Abril (dirigida pelo Maestro Luís Cardoso), a que se seguiram a Associação Musical e Recreativa Castanheirense (dirigida pelo Maestro Patrick Tavares), a Sociedade Musical Alvarense (dirigida pelo Maestro Abílio Liberal), a Banda Marcial de Fermentelos (dirigida pelo Maestro Hugo Oliveira), e que terminou com a actuação da Associação Cultural e Recreativa Banda Nova de Fermentelos (dirigida pelo Maestro João Neves).

Na sua actuação, a Marcial começou por interpretar a transcrição da “Festive Ouverture, Op 96”, uma obra escrita para orquestra em 1947 e estreada em 1954, da autoria do compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975); trata-se de uma obra constituída por duas secções ininterruptas, “Allegretto” e “Presto”, que foi composta para celebração do 30º aniversário da revolução da Rússia soviética.

De seguida, a Marcial interpretou “Cantares Portugueses”, uma rapsódia de cantos populares do Algarve da autoria do violoncelista, maestro e compositor David de Souza (1880-1918), com arranjo do Maestro Hugo Oliveira. Sobre esta obra, escreveu o seu próprio autor: “Apenas uma ideia me acompanhou na composição desta peça: dar a conhecer aos meus compatriotas algumas das nossas canções que julgo desconhecidas em Lisboa. Trecho sem artifícios nem pretensões orquestrais em que somente há um pouco da alma portuguesa”.

A finalizar a actuação daquela que, reza a história, é na presente data, a mais antiga colectividade da freguesia de Fermentelos e do próprio concelho de Águeda, e uma das mais antigas do distrito de Aveiro, a Banda Velha interpretou “Gibraltar March”, uma obra de Richard Waterer (1949-2005), trombonista, compositor, e que como tenente-coronel foi comandante dos Royal Marines, do Reino Unido, e responsável pela organização militar de grandes eventos reais, como o Tattoo Edimburgo para o Torneio Real, o 100º aniversário da rainha-mãe, e as celebrações do Jubileu de Ouro da Rainha, onde sempre associou a teatralidade à precisão militar.

Findas as actuações individuais, as cinco filarmónicas do concelho encerraram o festival-concerto executando novamente em conjunto o Hino da UBA, sob a direcção do Maestro Amílcar da Fonseca Morais, compositor da referida obra.

Jorge Mendonça