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Marcial de Fermentelos presente em Torno (Lousada), nas festas da Senhora Aparecida
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Pelos meados de Agosto, na freguesia de Torno, ou Senhora Aparecida, é tempo de romaria e festa rija. Conta-se que, aí pelo ano de 1823, no adro de Nossa Senhora da Conceição, não se sabe como, alguém descobriu a imagem da que viria a ser conhecida como Senhora Aparecida. Sabe-se, sim, é que o achado foi precedido por estranhos sinais que não paravam de chegar do céu em direcção à entrada de uma antiga mina seca que ficava ali, no mesmo sítio do adro.
Esta mina servia de abrigo a um simpático ermitão cuja origem ninguém conhecia, mas que era estimado por todos. Até pelos animais, para já não falar nas crianças que, encantadas, se sentavam ao seu redor a escutar lindas histórias de sonhar.
Assim corriam os anos até, que um dia, alguém estranhou o longo desaparecimento do solitário idoso, logo adiantando que talvez tivesse ido mais longe nas suas voltas, a algum povo distante, a mostrar um oratório que sempre levava consigo mais a imagem da Virgem Maria.
O que é certo é que não mais voltou. Até que os tais sinais, relâmpagos certinhos e estrelas que caíam na boca da mina, levaram os fregueses e o pároco a pensarem que algo se passava na tal mina. Começaram a escavar e logo apareceram restos das coisas do ermitão juntos com a bela imagem, de novo Aparecida.
Nos últimos anos do século XVIII, pedia esmola por esta terra um pobre ermitão, contando-se ser estrangeiro. Todos o amavam porque era muito bondoso, estimava os animais e respeitava as crianças. Morava num subterrâneo, numa antiga mina seca, que existia no monte da Conceição, lugar onde hoje se encontra a Ermida de Nossa Senhora Aparecida. Trazia consigo, num oratório, uma imagem da Virgem Maria, que apresentava quando pedia esmola. Por vezes alargava os seus passeios e, assim, se passavam meses sem ser visto nestes sítios.
Mas, um dia, desapareceu de vez. O que lhe teria acontecido? Ninguém sabia responder. E, assim passou ao esquecimento. Passaram-se muitos anos, até que um fenómeno veio chamar a atenção do povo para o antigo abrigo do ermitão. Eram estrelas cadentes que, em noites seguidas, ali pareciam ir beijar o chão. E também faíscas eléctricas que, em dias de tempestade, ali caíam sem perigo. O povo e o vigário, admirados com o que se passava, resolveram ir escavar e encontraram sinais de uma mina aluída, onde apareceu a pequena imagem da Virgem, que passou a tomar o nome de Senhora Aparecida.
Perto de tal imagem, encontrava-se uma panela, alguns restos e carvão. Era ali que o pobre mendigo descansava e foi ali, também, a sua sepultura. Foi, por certo, um novo aluimento que soterrou, mas deixando inteira a pequenina imagem que o acompanhou em vida.
Quando isto se descobriu, os sinos repicaram e lágrimas de alegria cobriram o rosto de todos quantos assistiram a este acontecimento. A notícia correu todo o norte de Portugal e a partir daí, começou a peregrinação a este local, logo santificado.
Foi assim que começou a festejar-se na localidade de Torno, concelho de Lousada, a romaria de Senhora Aparecida, nos dias 13, 14 e 15 de Agosto de cada ano.
No dia 13 faz-se uma festa de gado, passeio equestre e corridas de cavalo. Há também um Encontro de Bombos (consoante o número de anos da romaria) e um Festival Folclórico.
No dia 14 a romaria começa com a entrada das bandas e a preparação dos andores para a grande procissão. Enfeita-se uma pomposa e comprida procissão, com andores (incluindo o Andor Grande, o maior do país, com 20,26 metros e transportado por perto de 90 homens), muitos pendões de seda, cruzes alçadas, figuras alegóricas a pé e a cavalo, bois muito grandes enfeitados com flores, campainhas e cavalos. Ao fim da manhã, é celebrada a solene eucaristia no Auditório do Santuário com a presença de milhares de fiéis.
Na romaria de Senhora Aparecida destacam-se as tradições religiosas, especialmente a imponente procissão, que decorre sempre ao fim da tarde do dia 14, onde se mostra o maior andor existente no país (inscrito no livro dos records do guinness), transportado por homens. É comovente e consolador ver a crença dos devotos que vêm cumprir as suas promessas, no fim da procissão, arrastando-se de joelhos, amortalhados e carregados com diversos círios.
Algumas pessoas, em momentos de aflição, oferecem a Nossa Senhora Aparecida os seus anéis, os seus cordões de ouro, os seus brincos e a Ela lhos vão entregar no dia da sua festa. A fé nota-se sempre crescente em todas as pessoas, desde os mais humildes até às de mais elevada posição. A noitada encerra com uma enorme sessão de fogo de artifício, sempre considerada como uma das melhores da zona.
No dia 15 há corrida de motorizadas de 50CC e 80CC durante a tarde, a recordar as velhas corridas de feira. A noite é animada com conjuntos musicais populares e grande sessão de fogo de artifício em volta do Santuário e do Grande Andor que se encontra em exposição no adro.
Este ano, a Banda Velha marcará presença nestas festividades, a partir das 08.30h da próxima quinta-feira, dia 14 de Agosto, onde actuará em despique com a Banda de Música da Trofa até à 1 da madrugada.
Os interessados em acompanhar a Marcial podem reservar o respectivo lugar no autocarro através dos telefones 234191590 (Ester Pepino) e 234721004 (Barbearia Costa).